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quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Aniversário do carrasco do Brasil na Copa de 50

Alcides Ghiggia

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Alcides Ghiggia
Informações pessoais
Nome completo Alcides Edgardo Ghiggia
Data de nasc. 22 de Dezembro de 1926 (84 anos)
Local de nasc. Montevidéu, Uruguai
Informações profissionais
Posição Ponta-direita
Clubes profissionais
Anos Clubes Jogos (golos)
1946-1947
1947-1948
1948-1953
1953-1961
1961-1962
1962-1968
Uruguai Atlante
Uruguai Sud América
Uruguai Peñarol
Itália Roma
Itália Milan
Uruguai Danubio
 ? (?)
? (?)
? (8)
201 (19)
4 (0)
Seleção nacional
1950-1952
1957-1959
Flag of Uruguay.svg Uruguai
Flag of Italy.svg Itália
12 (5)
5 (1)
  


Alcides Edgardo Ghiggia (Montevidéu, 22 de Dezembro de 1926) é um ex-futebolista uruguaio.
Ghiggia celebrizou-se como o iluminado que fez o gol do título do Uruguai sobre o Brasil em pleno Maracanã na Copa do Mundo de 1950.[1] Ele é o único jogador daquela partida ainda vivo. Teria disputado também a Copa do Mundo de 1954, mas a Roma, clube que defendia na época, não o liberou.[2]
Ele jogou também pela Itália, terra de suas raízes e pela Azzurra poderia também ter disputado a Copa do Mundo de 1958, mas o país não se classificou. Seu sobrenome italiano, de acordo com a língua italiana, pronuncia-se corretamente "Guídja",[3] mas a pronúncia mais popular no Brasil é à portuguesa, "Jíjia".
 [editar] Carreira em clubes
Ghiggia começou a carreira no pequeno Atlante, em 1946, mudando-se para o um pouco maior Sud América no ano seguinte. Deu seu grande passo ao ser contratado em 1948 por um dos grandes times do Uruguai, o Peñarol.
No Peñarol, faturou o campeonato uruguaio em 1949, grande campanha do time, que terminou invicto, com 16 vitórias, 2 empates, 62 gols a favor e 17 contra,[4] Isso fez com que seis jogadores da equipe compusessem a base da Seleção Uruguaia na Copa do Mundo de 1950: Roque Máspoli, Obdulio Varela, Juan Alberto Schiaffino, Óscar Míguez, Ernesto Vidal e ele. Destes, apenas Vidal não participaria da partida decisiva contra o Brasil, devido a uma lesão, cedendo lugar a Rubén Morán.[5]
Ghiggia venceu ainda os campeonatos uruguaios em 1951 e 1953. Seu "currículo" chamou a atenção da Roma, que lhe contratou ainda em 1953. Ghiggia ficaria oito anos no clube da capital, mas apenas em sua última temporada conseguiu um título não-amistoso: a Taça das Cidades com Feiras, precursora da Copa da UEFA e da posterior Liga Europa da UEFA. Curiosamente, foi a única temporada em que atuou na Roma ao lado de seu ex-colega de Peñarol e Seleção Uruguaia Schiaffino: foi vendido ao Milan, onde Schiaffino se destacara.
No clube rossonero, Ghiggia foi finalmente campeão italiano, mas atuou apenas quatro vezes na campanha e não marcou. Sem espaço, retornou a Montevidéu como jogador do Danubio. Jogou neste clube até aposentar-se em 1968, aos 42 anos de idade.

Seleção(ões) nacional(is)

Ghiggia estreou pela Seleção Uruguaia em 1950, a tempo de figurar na Copa do Mundo daquele ano. O Uruguai veio ao Brasil com um ambiente turbulento: o técnico Juan López fora escolhido apenas um mês antes do torneio, após a Celeste Olímpica obter resultados ruins contra os próprios brasileiros, o que incluía duas derrotas para a Seleção Brasileira pela Copa Rio Branco, uma derrota para o Brasil de Pelotas e, em Montevidéu, dois empates contra o Fluminense.[4] Estreou justamente em vitória por 4 x 3 sobre o Brasil pela Copa Rio Branco,[6] que ficou com os brasileiros após estes vencerem as outras duas partidas por 3 x 2 e 1 x 0.
Antes da escolha da Associação Uruguaia de Futebol por López, o Peñarol chegara a vetar a convocação de seus jogadores: a AUF desprezava o técnico da equipe aurinegra, o húngaro Emérico Hirschl, desejado pela torcida e mídia.[4] Com pouco tempo para entrosar o time, López chamou exatamente os jogadores que disputaram a Copa Rio Branco.[4]

Copa do Mundo de 1950

Na estreia, o Uruguai realizou a maior goleada da Copa, um 8 x 0 sobre a Bolívia, com Ghiggia marcando o último gol. Foi o único jogo do grupo dos dois países, composto apenas por eles, em razão das desistências das classificadas seleções de Escócia e Turquia.[7] Classificado para a fase final, decidida em um grupo de quatro seleções, o Uruguai começou ela empatando com a Espanha, com ele marcando novamente o primeiro gol do empate em 2 x 2 com sua jogada mais repetida na partida: recuava até o meio-de-campo para atrair seu marcador, o meia adversário Antonio Puchades, para Julio Pérez lançar a bola para o ataque pelas costas da defesa espanhola.[8]
As atuações de Pérez e Ghiggia foram bastante elogiadas pela imprensa uruguaia, que os classificou respectivamente de "o arco e a flecha".[9] Ghiggia foi saudado pela crônica esportiva brasileira após a partida seguinte, em uma vitória difícil de virada sobre a Suécia por 3 x 2, em que ele fez o primeiro gol: foi avaliado como "muito perigoso, se lhe for dado espaço para correr".[10] A última partida do grupo, que acabaria decidindo o torneio, seria contra o Brasil.
Por diversos fatores, como o conturbado ambiente pré-Copa do Uruguai, incluindo resultados ruins contra o próprio Brasil e equipes de futebol brasileiras, o fato de enfrentar o anfitrião, e precisando da vitória para ganhar a Copa - ao Brasil, bastava apenas o empate, por ter somado mais pontos ao ter vencido os mesmos adversários na fase final -, os brasileiros eram apontados como francos favoritos. Principalmente pelas vitórias brasileiras contra suecos e espanhóis terem saído em exibições espetaculares com vitórias, respectivamente, por 7 x 1 e 6 x 1. O clima generalizado entre os brasileiros de que o Brasil já era campeão - o que incluiria um discurso do prefeito do Rio de Janeiro, Ângelo Mendes de Moraes, nos autofalantes do Maracanã, antes da partida.[11]
A euforia brasileira aumentou com o gol de Friaça no primeiro minuto do segundo tempo. Instigados pelo capitão Obdulio Varela, os uruguaios correram atrás e esfriaram os brasileiros, o que já funcionara no primeiro tempo, em que a Celeste soubera anular a principal jogada adversária: a troca de passes entre Jair da Rosa Pinto, Ademir e Zizinho.[12]
Aos 21 minutos do segundo tempo, com o Uruguai recomposto, Ghiggia participou da jogada de empate: recebeu a bola de Obdulio Varela na intermediária brasileira, junto à linha lateral, escapando do carrinho de Bigode e correndo sozinho por vinte metros.[13] Ao ultrapassar a linha lateral da grande área, a três metros da linha de fundo, fez um passe rasteiro para o desmarcado Juan Alberto Schiaffino, que acertou no canto esquerdo de Barbosa.[13]
Cerca de quinze minutos depois, a jogada ameaçou repetir-se: Schiaffino entrou pela área novamente desmarcado enquanto Ghiggia vinha pela esquerda - razão pela qual Barbosa, antevendo um novo passe para Schiaffino, afastou-se um pouco da trave esquerda.[13] Porém, Ghiggia, no momento em que Juvenal chegava para tentar interceptar, resolveu chutar de onde estava, conseguindo fazer a bola passar entre Barbosa e a trave.[13] O Brasil não conseguiu empatar e a taça ficou com os uruguaios, que calaram as duzentas mil vozes presentes nas arquibancadas do Maracanã. As imagens do gol de Ghiggia pela câmera colocada atrás do gol brasileiro e a perplexidade da multidão ficariam entre as mais emblemáticas das Copas e do futebol brasileiro e uruguaio.[14]
Ghiggia terminou a Copa campeão e marcando em todas as partidas que disputou, feito que só seria igualado por Jairzinho, na Copa do Mundo de 1970.
Cquote1.svg "Apenas três pessoas calaram o Maracanã: o Papa João Paulo II, Frank Sinatra e eu"[3][15] Cquote2.svg
Ghiggia sobre seu lance mais famoso


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